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Adoçantes de baixo valor calórico: estudo australiano analisa efeitos na diabetes

Homem em bata branca segura copo com bebida enquanto observa dados num gráfico no ecrã do computador.
Neste artigo
  1. O que os cientistas pretendem apurar
  2. A ciência continua à procura de respostas
  3. Diabetes e excesso de peso

Os adoçantes de baixo valor calórico fazem parte do dia a dia de milhões de pessoas que procuram diminuir a ingestão de açúcar, gerir o peso ou controlar os níveis de glicose. Ainda assim, uma nova investigação australiana procura responder a uma questão cada vez mais discutida na comunidade científica: serão estes substitutos do açúcar verdadeiramente tão inofensivos como aparentam?

Investigadores da Universidade de Adelaide, na Austrália, começaram a recrutar voluntários para um estudo que irá analisar de que forma os adoçantes mais consumidos a nível mundial afectam o organismo humano. O objectivo é perceber se estas substâncias podem alterar o sistema que regula a glicose e, potencialmente, contribuir para o aparecimento de diabetes.

A investigação irá avaliar cinco dos adoçantes actualmente mais usados: aspartame, estévia, sucralose, sacarina e acessulfame de potássio. Estas substâncias encontram-se numa vasta gama de produtos de consumo diário, como refrigerantes, bebidas sem açúcar, iogurtes, sobremesas e alimentos processados.

O que os cientistas pretendem apurar

O estudo irá centrar-se na forma como estes adoçantes actuam sobre órgãos essenciais para o controlo do açúcar no sangue, nomeadamente o intestino, o pâncreas e os rins. A equipa também avaliará eventuais efeitos na microbiota intestinal, o conjunto de microrganismos com uma função relevante na saúde metabólica.

De acordo com Tongzhi Wu, professor associado da Universidade de Adelaide, conhecer melhor estas interacções poderá contribuir para a criação de recomendações alimentares mais seguras e eficazes para a população.

Embora tenham sido desenvolvidos para proporcionar sabor doce sem as calorias do açúcar convencional, os adoçantes têm suscitado dúvidas em estudos recentes sobre os seus efeitos metabólicos a longo prazo. Algumas investigações indicam que certas substâncias podem afectar hormonas ligadas ao apetite, à digestão e à regulação da glicose.

A ciência continua à procura de respostas

Os especialistas sublinham que os adoçantes autorizados para consumo continuam a ser considerados seguros quando utilizados dentro dos limites definidos pelas entidades reguladoras. Contudo, tal não significa que todos os seus efeitos no metabolismo estejam já plenamente esclarecidos.

Para os cientistas que participam no estudo, há uma distinção relevante entre a segurança toxicológica de uma substância e a sua influência nos mecanismos complexos do metabolismo humano.

Chris Rayner, também envolvido na investigação, salienta que muitas pessoas encaram os adoçantes como uma substituição directa e simples do açúcar. Porém, o funcionamento do corpo humano é bastante mais complexo.

Segundo o investigador, apesar de estes produtos poderem ajudar a reduzir a ingestão de açúcar e de calorias, persistem dúvidas sem resposta definitiva sobre os seus efeitos metabólicos ao longo dos anos.

Diabetes e excesso de peso

A investigação torna-se ainda mais pertinente perante o aumento mundial da diabetes tipo 2. O excesso de peso é um dos principais factores de risco para a doença, levando muitas pessoas a optar por adoçantes na tentativa de melhorar a alimentação.

Os resultados poderão esclarecer se alguns adoçantes afectam o controlo da glicose de formas distintas e se determinadas substâncias produzem efeitos específicos em órgãos e processos metabólicos.

Se forem detectadas alterações relevantes, as conclusões poderão apoiar novas estratégias de prevenção e controlo da diabetes, bem como orientar futuras recomendações alimentares assentes em evidência científica mais sólida.

Entretanto, os especialistas reforçam que uma alimentação equilibrada, com alimentos naturais e pouco processados, continua a ser uma das ferramentas fundamentais para proteger a saúde metabólica.

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Miguel Ângelo Figueiredo

Miguel Ângelo Figueiredo é enólogo e consultor especializado em divinograo, com experiência na análise de castas, terroirs e processos de vinificação. Dedica-se à divulgação da cultura vínica portuguesa e acompanha de perto as tendências, produtores e práticas sustentáveis associadas ao universo do divinograo.

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