Saltar para o conteúdo
Notícias

Ovos podem reduzir até 27% o risco de doença de Alzheimer

Idoso a partir ovos numa frigideira na cozinha, rodeado de alimentos saudáveis como abacate e mirtilos.
Neste artigo
  1. Estudo acompanhou quase 40 mil idosos
  2. O que torna os ovos especiais para o cérebro?
  3. Os ovos previnem o Alzheimer?
  4. Os benefícios dos ovos vão além da memória
  5. A alimentação saudável continua a ser a melhor estratégia

Os ovos são há muito reconhecidos como uma boa fonte de proteínas e nutrientes essenciais, mas uma investigação recente acrescenta possíveis vantagens à sua lista de benefícios. Um estudo divulgado em junho de 2026 por investigadores da Universidade de Loma Linda, na Califórnia, sugere que o consumo habitual de ovos poderá estar relacionado com uma diminuição de até 27% do risco de desenvolver doença de Alzheimer em adultos com 65 ou mais anos.

Apesar de os dados serem animadores, os cientistas sublinham que este alimento não deve ser encarado, isoladamente, como uma forma de prevenir a doença. O eventual efeito parece integrar um padrão de alimentação saudável que apoia o envelhecimento cerebral.

Estudo acompanhou quase 40 mil idosos

Para analisar a ligação entre a alimentação e a saúde do cérebro, os investigadores acompanharam 39.498 adultos por mais de 15 anos. Durante esse período, avaliaram a frequência de consumo de ovos e o aparecimento de novos diagnósticos de doença de Alzheimer.

Os dados revelaram uma menor incidência da doença entre as pessoas que consumiam ovos com moderação. Os resultados mais favoráveis foram observados no grupo que ingeria, em média, cinco ovos por semana.

No estudo foram contabilizadas todas as formas de preparação, incluindo ovos cozidos, mexidos e fritos, bem como os utilizados em bolos, pão e outras receitas culinárias.

O que torna os ovos especiais para o cérebro?

Os investigadores consideram que uma parte deste possível benefício poderá estar associada aos nutrientes presentes sobretudo na gema.

Entre estes encontra-se a colina, uma substância que o organismo utiliza para produzir acetilcolina, um neurotransmissor essencial para a memória, a aprendizagem e a comunicação entre neurónios.

Para além da colina, os ovos fornecem ainda:

  • luteína;
  • zeaxantina;
  • vitamina B12;
  • selénio;
  • iodo;
  • proteínas de elevado valor biológico.

A luteína e a zeaxantina são conhecidas pelas suas vantagens para a visão, mas têm também uma acção antioxidante. Assim, podem ajudar a proteger as células do stress oxidativo, um processo associado ao envelhecimento cerebral.

Os ovos previnem o Alzheimer?

Apesar da associação identificada, os investigadores salientam que o estudo não demonstra uma relação de causa e efeito.

Por outras palavras, comer ovos não assegura protecção contra a doença de Alzheimer. O desenvolvimento de demência depende de múltiplos factores, entre os quais a genética, a idade, a actividade física, a qualidade da alimentação, o controlo de doenças crónicas e o estilo de vida.

Os resultados apenas indicam que a inclusão de ovos numa dieta equilibrada poderá contribuir para uma melhor saúde cerebral.

Os benefícios dos ovos vão além da memória

Embora sejam necessários mais estudos para confirmar o possível efeito no Alzheimer, os ovos são já considerados um alimento muito nutritivo.

O seu consumo disponibiliza proteínas de excelente qualidade e nutrientes relevantes para várias funções do organismo, incluindo:

  • manutenção da massa muscular;
  • reforço do sistema imunitário;
  • produção de energia;
  • funcionamento adequado do metabolismo;
  • maior sensação de saciedade.

Além disso, substituir uma parte da carne vermelha por ovos pode ajudar a tornar a alimentação mais equilibrada e beneficiar a saúde cardiovascular.

A alimentação saudável continua a ser a melhor estratégia

Os especialistas reforçam que nenhum alimento, por si só, consegue impedir o desenvolvimento da doença de Alzheimer.

A prevenção pressupõe a combinação de vários hábitos: manter uma alimentação rica em fruta, vegetais, legumes, peixe, frutos oleaginosos e proteínas de qualidade; praticar actividade física regularmente; controlar a tensão arterial, a diabetes e o colesterol; dormir bem; e manter o cérebro activo.

Neste enquadramento, os ovos podem ser uma opção acessível, versátil e nutritiva, capaz de complementar uma dieta orientada para um envelhecimento mais saudável e para a preservação das funções cognitivas ao longo dos anos.

Neste momento

Miguel Ângelo Figueiredo

Miguel Ângelo Figueiredo é enólogo e consultor especializado em divinograo, com experiência na análise de castas, terroirs e processos de vinificação. Dedica-se à divulgação da cultura vínica portuguesa e acompanha de perto as tendências, produtores e práticas sustentáveis associadas ao universo do divinograo.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário