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10 alimentos frequentemente mal arrumados na cozinha

Homem a organizar legumes frescos numa cozinha moderna, com luz natural a entrar pela janela.
Neste artigo
  1. O frigorífico não é amigo de todos os alimentos
  2. Pequenos pormenores que prolongam muito mais as compras
  3. Desperdiçar menos começa muitas vezes por mudar um alimento de lugar

Ao domingo à noite, a história repete-se muitas vezes: morangos já moles no fundo da embalagem, pão seco como cartão, dois tomates farinhentos e uma batata que começa a ganhar rebentos num canto da cozinha. E, no entanto, as compras foram feitas há apenas alguns dias. Todos conhecemos este pequeno incómodo, entre o desperdício e a sensação de que planeámos mal. Nem sempre a culpa é da frescura dos produtos ou de um frigorífico caprichoso. Na maioria das vezes, são os nossos hábitos de arrumação que os deterioram antes do tempo. Uma diferença de temperatura, um saco fechado durante demasiado tempo, um mau vizinho na bancada... e tudo muda. Há alimentos que simplesmente não gostam de ficar onde os pousamos. Talvez passe a olhar para a sua cozinha de outra forma.

O frigorífico não é amigo de todos os alimentos

O gesto é quase automático: assim que chegamos das compras, tudo vai para o frigorífico. Tomates, bananas, abacates ainda rijos e, por vezes, até o pão. No entanto, o frio pode destruir os aromas e alterar a textura de vários produtos. Um tomate guardado cedo demais no frigorífico fica frequentemente sem sabor, farinhento, com uma polpa pouco apelativa. É preferível mantê-lo à temperatura ambiente, protegido da luz solar directa, até estar bem maduro. Só depois de cortado deve ir para o frigorífico, dentro de um recipiente fechado. O frio conserva, mas nem sempre respeita o sabor.

As batatas também sofrem com este hábito errado. No frigorífico, o amido transforma-se mais depressa em açúcar, o que lhes pode dar um sabor estranho e fazê-las alourar durante a cozedura. O local ideal é fresco, seco, escuro e arejado: um armário, uma despensa ou um cesto opaco, mas nunca debaixo do lava-loiça. As cebolas e o alho exigem praticamente as mesmas condições, com uma diferença: não toleram humidade nem espaços herméticos. Uma rede, um cesto vazado ou uma caixa perfurada são opções mais adequadas do que um saco de plástico esquecido atrás de um pacote de arroz.

O pão é outro dos grandes prejudicados pelo frigorífico. Ali, fica duro mais depressa, mesmo que pareça estar protegido do bolor. Se for consumido nos dois dias seguintes, basta uma caixa do pão ou um saco de papel; para o conservar durante mais tempo, o melhor é fatiá-lo e congelá-lo. As bananas também merecem alguma atenção: enquanto ainda não estão maduras, escurecem rapidamente no frio. O abacate, se ainda estiver duro, também deve esperar na bancada. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Ainda assim, estes poucos gestos evitam que se deitem fora alimentos que continuam perfeitamente próprios para consumo.

Pequenos pormenores que prolongam muito mais as compras

Os frutos vermelhos dão muitas vezes a impressão de se estragarem de um dia para o outro. Morangos, framboesas, mirtilos e amoras são delicados, sobretudo quando permanecem húmidos na embalagem original. Não os lave logo depois de os comprar: a água acelera o aparecimento de bolor quando fica retida entre os frutos. Guarde-os no frio, num recipiente pouco fundo forrado com papel absorvente, colocando a tampa sem a fechar totalmente de forma hermética. Retire de imediato qualquer fruto estragado, mesmo que pareça minúsculo. Não é propriamente elegante, mas um único morango com bolor consegue estragar uma embalagem inteira em poucas horas.

As ervas aromáticas frescas merecem mais do que a gaveta do frigorífico, apertadas dentro do seu saco amarrotado. A salsa, os coentros e a hortelã mantêm-se mais viçosos se cortar ligeiramente os caules e os colocar num copo com água, como se fossem um ramo. Uma protecção leve, com um saco reutilizável colocado por cima, reduz a desidratação. O manjericão é a excepção: não aprecia frio intenso e conserva-se melhor à temperatura ambiente. A mesma lógica aplica-se ao café: no frigorífico, absorve odores e humidade. Um armário escuro e uma caixa realmente hermética protegem muito melhor os seus aromas.

Para não transformar a cozinha num laboratório, basta reter uma regra simples: separe os produtos que libertam muito etileno daqueles que são sensíveis a esse gás. Este gás natural acelera o amadurecimento, por vezes de forma impressionante.

«Um alimento bem arrumado não dura para sempre, mas dá-lhe tempo para o saborear.»

  • Para manter fora do frigorífico: tomates, batatas, cebolas, alho, bananas e abacates não maduros.
  • Para vigiar no frio: frutos vermelhos, ervas aromáticas frescas e chocolate.
  • Para proteger da humidade: pão, café e batatas.

Já o chocolate prefere uma divisão fresca e seca a um frigorífico, onde ganha uma camada esbranquiçada e perde a sua textura derretida.

Desperdiçar menos começa muitas vezes por mudar um alimento de lugar

No fundo, conservar melhor os alimentos não exige uma cozinha perfeita nem uma colecção de frascos a condizer. Por vezes, basta olhar com mais atenção para aquilo que se compra: bananas muito amarelas devem ser comidas rapidamente, abacates duros podem esperar e os frutos vermelhos precisam de um espaço livre. O verdadeiro truque passa por organizar os produtos de acordo com o seu ritmo, e não consoante o espaço disponível. Os alimentos mais frágeis devem ficar à vista, à frente e à altura dos olhos. Os que aguentam mais tempo podem ficar num armário escuro. Não se trata de disciplina militar, apenas de bom senso no dia a dia.

Esta pequena selecção também pode mudar a forma como cozinha. Um tomate que começa a amolecer dá origem a um excelente molho; ervas aromáticas já cansadas podem acabar numa omeleta, num pesto ou em cubos de gelo com azeite aromatizado. Um pão ligeiramente seco transforma-se em croutons, pão ralado ou torradas gratinadas. Por vezes, a melhor forma de conservação é cozinhar no momento certo, antes de o alimento passar para o lado do esquecimento. Os dez produtos mais frequentemente mal arrumados contam, afinal, a mesma história: compramos muito, andamos depressa e descobrimos tarde demais aquilo que ficou esquecido no fundo do frigorífico.

Ponto essencial Pormenor Valor acrescentado para o leitor
O frio não serve para tudo Tomates, batatas, bananas e abacates não maduros preferem muitas vezes ficar fora do frigorífico. Recuperar mais sabor e uma textura melhor.
A humidade acelera as perdas Frutos vermelhos, pão, café e ervas aromáticas devem ser protegidos da água e da condensação. Ganhar vários dias de conservação.
A arrumação conta tanto como a compra Afastar os frutos que amadurecem muito dos produtos frágeis limita o envelhecimento acelerado. Reduzir o desperdício sem alterar radicalmente os hábitos.

Neste momento

Miguel Ângelo Figueiredo

Miguel Ângelo Figueiredo é enólogo e consultor especializado em divinograo, com experiência na análise de castas, terroirs e processos de vinificação. Dedica-se à divulgação da cultura vínica portuguesa e acompanha de perto as tendências, produtores e práticas sustentáveis associadas ao universo do divinograo.

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